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Felicitações

Estimado Lima Freitas,

Parabéns pelo site!
Conheço o seu árduo trabalho junto a esta arcádia há mais de 15 anos quando acompanhva o meu pai Meton Maia para as reuniões na Casa Juvenal Galeno. Hoje me faço presente no Palácio da Luz com o meu marido João César futuro membro da ALMECE. És um guerreiro destemido, dedicado, que labuta sem tréguas em prol da cultura cearense. O peso dos anos não o limita, não o faz esmorecer diante da luta diária que o cargo de presidente requer. És um exemplo de força coragem e desprendimento. Meu abraço.

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parabenizá-lo por ser nosso representante no município de Redenção-CE.

Esqueci de citar meu Email: claudia viana68@live.com

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Parabenizá-lo por ser nosso representante.

Fiquei muito feliz em saber que V.Revmo. representa o nosso município de Redenção-CE,não sou Redencionista, nasci em Baturité-CE; porém moro em Redenção há 43 anos,na realidade só fiz nascer em Baturité-CE,fui batizada e após o meu batismo minha mãe veio morar em Redenção-CE; pois um policial Militar em 1968 tirou a vida de meu pai; na época fiquei com 11 meses. É uma honra tê-lo como nosso representante. Que Deus continue iluminando o Sr. dando Paz, Saúde,discernimento e muita Sabedoria.Abraços fraternos da irmã em Cristo: Claudia Viana.

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Redenção: um brado de liberdade



Pe. Geovane Saraiva*

Quero, antes de qualquer coisa, agradecer ao senhor Francisco Lima Freitas, presidente desta ARCÁDIA, a Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará, homem que, na condição de cultor das nossas letras, aliado à arte de se aventurar nesse belo e maravilhoso campo, com aquela vontade de inebriar e fecundar o mundo, carente e necessitado de doação e generosidade revolucionário. Também é meu dever agradecer aos amigos Gilson de Albuquerque Pontes e Francinete de Azevedo Ferreira, que propuseram o meu nome, juntamente com o presidente, para ser submetido a este Sodalício, a esta maravilhosa coorte! Meu muito obrigado!
Agradecer é o meu dever, porque meu nome foi aprovado para integrar o quadro dos Sócios Efetivos da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará – ALMECE, na cadeira 61, representando o município de Redenção. Esta entidade que em toda sua história, com esmerado denodo, contribuiu substancialmente em favor da nossa cultura e por isso mesmo é orgulho e patrimônio do povo cearense.
O nosso querido Presidente Lima Freitas usou no convite a expressão “Liturgia Acadêmica”. Aliás, nós, povo de Deus, que há duas semanas participamos com grande fervor da Liturgia Pascal, que no dizer de Santo Agostinho é a “Mãe de todas as celebrações”, que com seus ritos antigos, com toda sua beleza, sua profundidade poética e, ao mesmo tempo profética, a nos encantar e estimular na vida de fé e de esperança e também, a nos desafiar a gostar de viver, neste mundo tão marcado por contradições. Continuando, a liturgia da Páscoa nos diz que “Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremos e nele exultemos!” Na ressurreição, Deus nos faz a proposta de caminhar com seu Filho Jesus, que, apesar de todas as aparências contrárias, nos fala da vitória e do seu senhorio, que Jesus Cristo é o Senhor, oferecendo-nos a paz verdadeira e duradoura, no “Duelo forte e mais forte, na vida que venceu a morte!”.
É claro que pela fé experimentamos a gloriosa ressurreição do Senhor, ao despertar em nós Igreja o espírito filial para que, inteiramente renovados, possamos servir a Deus de todo o coração, não obstante alguns rejeitem este evidente mistério, tão grande e insondável, andando na contra mão da história. Michel Ongray, filósofo francês mais lido da atualidade, diz que as três grandes religiões monoteístas: cristianismo, islamismo e judaísmo, vendem ilusões e devem ser desmascaradas como o rei da fábula de Andersen, quando afirma que as mesmas exaltam a submissão, a castidade, a fé cega e o conformista em nome de um paraíso fictício, depois da morte. O referido filósofo escreve em linguagem acessível, a mesma que emprega ao lecionar na cidade Caen, no norte da França. Ali fundou uma “universidade popular” que atrai milhares de pessoas para ouvir suas palestras diárias e gratuitas sobre filosofia, artes e política. Ongray afirma de um modo categórico que só o homem ateu pode ser livre, porque Deus é incompatível com a liberdade humana. Se Deus existe, eu não sou livro; por outro lado, se não existe, posso me libertar, afirmando que a liberdade nunca é dada. Ela se constrói no dia-a-dia.
Em contraposição às palavras de Michel tomemos as palavras das Sagradas Escrituras ao afirmar: "Vós, fostes chamados à liberdade, irmãos. Entretanto, que a liberdade não sirva de pretexto para a carne, mas, pela caridade, colocai-vos a serviço uns dos outros. Pois toda a Lei está contida numa só palavra: Amarás a teu próximo como a ti mesmo. Mas se vós mordeis e vos devorais uns aos outros, cuidado, não aconteça que elimineis uns aos outros. Ora, eu vos digo, conduzi-vos pelo o Espírito e não satisfareis os desejos da carne” (Gl 5, 13-16). Ao falarmos aqui na ressurreição do Senhor, falamos também em liberdade, pois com a morte e ressurreição de Cristo no mistério pascal, confiado à Igreja, todos nós somos livres na graça, confirmo tomando a palavra de Santo Agostinho onde diz em sua obra “O Livro Arbítrio” que a verdadeira liberdade se baseia em vivermos na graça de Deus, pois o livre-arbítrio (poder de escolha) que é um bem e um elemento positivo não é ainda a liberdade, mas só é livre aquele que se esforça para fazer a vontade de Deus.
Ao acreditar e colocar a nossa fé diante do Senhor ressuscitado, significa ficar do lado da vitória daquele parecia totalmente vencido, humilhado e derrotado. O que para uns parecia tolice e para outros foi um tremendo absurdo, na liturgia pascal é a fonte da vida da Igreja. É a celebração do sacrifício do Corpo e do Sangue de Jesus Cristo, no altar, pelo ministério do sacerdote. É ação do povo e em favor do povo. Na verdade, no dizer do Apóstolo Paulo é sabedoria e poder de Deus (cf. 1Cr 1, 17-31).
Portanto, nesta “Liturgia Acadêmica”, nós que, a exemplo de Lima Freitas à frente da ALMECE, somos chamados a ser cultores de nossas letras, através de livros, contos, poesias (...). Por isso mesmo recito um soneto do nosso grande poeta Horácio Dídimo:
I

Cada livro é uma árvore
Ondulada pelo vento
É papel e personagem
Pendurado no seu tempo

Usa capa e contracapa
Comentário nas orelhas
Nariz na folha do rosto
Sumário nas sobrancelhas

Cada Livro é uma nuvem
Carregada de palavras
Chovendo pelos caminhos


Cada livro é um oásis
Onde as aves bibliófilas
Vão preparar os seus ninhos.


E nesta circunstância, ao assumir a cadeira 61, representando município de Redenção, é para mim, uma honraria que vai além das minhas expectativas mais otimistas de reconhecimento do meu desempenho na vida pública e sacerdotal. Confesso-me, pois, profundamente envaidecido. Esconder tal sentimento seria faltar com a sinceridade.
O nome de Redenção nasceu há 129 anos, do brado da liberdade, em primeiro de janeiro de 1883, quando o município, que tinha o topônimo de Acarape, ao libertou os escravos, cinco anos antes da libertação dos escravos no Brasil. A Vila do Acarape, atual Redenção, emancipou seus escravos há menos de um ano antes da província do Ceará, guardando na memória essa boa gente de Redenção, num gesto profundamente heróico, de ter libertado 116 escravos. Desse modo a referida cidade se envaidece de ser conhecida, carregando consigo a marca da liberdade, numa imorredoura simbologia.
Por isso mesmo o nome Redenção, quer significar nessa mesma simbologia LIBERDADE. Apesar de ter sido a primeira cidade a libertar os escravos, na data memorável de 1º de janeiro de 1883, esse acontecimento não ficou apenas marcado e reconhecido como sinal histórico nacional, mas resultou num fato ainda mais importante: demonstrando para todo Brasil um ato profundamente humanitário, grandioso e sublime, no âmbito dos direitos e da dignidade da pessoa humana, orgulho para a população da cidade de Redenção.
E é nesse mesmo contexto fundamentalmente simbólico que nasce a Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira – UNILAB, em Redenção – Ceará, atendendo a um clamor e um grito dos empobrecidos e excluídos do nosso imenso Brasil, marcado pelo sofrimento e pela escravidão. Ao mesmo tempo, quer despertar em nós, a consciência que a pessoa humana, na sua autonomia, compreensão e realização pessoal, não pode ser vista de outro modo, a não ser através da educação e da cultura, como algo concreto, na direção da inclusão social e de sua aproximação com os seus semelhantes. Acho bem apropriada para esse contexto a expressão de Jesus no seu Evangelho: “Não são os que têm saúde que precisam de médicos, mas sim os doentes” (Mt 9, 12).
No Brasil, as elites nunca tiveram a preocupação de democratizar a educação. A omissão da mesma teve como consequência o atraso do nosso povo. Podemos olhar para o conjunto da América Latina, a partir do século XVI, bem na nossa frente, com suas boas universidades, enquanto que o Brasil, só a partir do século de XIX, é que surgem os primeiros cursos iniversitários. A cidade de Olinda é a primeira a ter seu curso universitário. A Universidade de São Paulo teve o seu início em 1934. País algum no mundo poderá avançar, com passos significativos, na justiça e no crescimento social, se não colocar a educação bem no centro, no âmago, como prioridade.
De modo que é mais do que urgente uma consciência, sempre e cada vez maior, de que nenhuma mudança acontecerá entre nós, se não traçarmos no objetivo de nossas decisões a educação, como um novo paradigma no processo social e político, mesmo diante de muitas contradições e desafios.
O governo brasileiro, no momento atual, apesar das dificuldades no campo educacional, está cumprindo um papel relevante, vivendo uma boa fase e realizando um belo e edificante trabalho. A iniciativa da instalação da Universidade Federal da Integração Luso-Afro-Brasileira – UNILAB é algo maravilhoso. Nossos aplausos!
É um caminho novo e democrático que surge com a implantação da UNILAB. Que seja de fato o objetivo de atingir o foco da coisa, indo ao encontro das minorias; daquelas pessoas que têm mais dificuldades, os pequenos e os mais fracos. Uma educação cada vez melhor, com inclusão social, é o sonho e desejo de todos.
Nesta nossa Liturgia Acadêmica, me volto mais uma vez para o Professor Horácio Dídimo, precedido de Mário Quintana: “Se eu fosse um Padre, eu, nos meus sermões/ não falaria em Deus nem no pecado/ muito menos no Anjo rebelado/ e nos encantos das suas seduções/ não citaria os Santos Profetas: /nada das suas celestiais promessas/ ou das suas terríveis maldições... / se eu fosse um Padre eu citaria os Poetas”. E aqui o nosso poeta por excelência:

II

Livros são contos e cantos
São palácios ancestrais
São circos com saltimbancos
São templos, são catedrais

Colorido ou preto-e-branco
Cada livro tem seu texto
Seu miolo sua casca
Seu mercado e seu contexto

Livros são nomes ou mais
Seres tridimensionais
Cada um com sua norma


Cada livro é uma forja
Um retrato e um espaço
Um abraço e uma forma


Encerro com as palavras, por mim proferidas, na ocasião em que fui distinguido com a outorga da Medalha de Defesa dos Direitos Humanos Dom Helder Câmara, pela Câmara Municipal de Fortaleza, iniciativa da Vereadora Eliana Gomes, no dia 21 de novembro de 2011: “Com Dom Helder o humanismo sempre prevaleceu, e de um modo sempre crescente, seja no campo cultural, intelectual, econômico e social, ensinando a nos convencer sempre e cada vez mais que a pessoa humana, na sua dignidade é um dom maravilhoso do Pai e neste raciocínio guardemos este seu pensamento: “A melhor maneira de ajudar os outros é provar-lhes que eles são capazes” (Dom Helder Câmara). “o verdadeiro analfabeto é aquele que aprendeu a ler e não lê”.

* Geovane Saraiva é sacerdote da arquidiocese de Fortaleza, CE, pároco da paróquia Santo Afonso. E-mail: pegeeovane@paroquiasantoafonso.org.br

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Pe. Geovane Saraiva na Academia de Letras...

Pe. Geovane Saraiva na Academia de Letras...




Lusmar Paz - Aracoiaba - CE., Ao Geovane Saraiva



Recebi os três maravilhosos livros: "A Esperança tem nome"; "Nascido para as coisas maiores" e a "Ternura de Pastor".
São, de fato, três livros excelentes... Esse trio literário, servirá muito para enriquecer meus conhecimentos e alargar mais ainda minha fome de novas ideias. São livros que nos ajudam, de maneira entusiasta, no campo da fé. Pe. Geovane, o senhor escreve muito bem e vale a pena ler seus inspirados livros. A Arquidiocese de Fortaleza e a Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará, conta com um grande escritor. Parabéns!!! Vá em frente meu irmão!!! Obrigado pelos livros e pelo convite para participar da sua posse, no dia 25 deste, 19:30h, na Academia Cearense de Letras, Rua do Rosário, 1 - Palácio da Luz, como imortal da Academia de Letras dos Municípios Estado do Ceará (ALMECE), cadeira 61, representando o vizinho município de Redenção – CE, belo nome que nasceu do brado da liberdade, em primeiro de janeiro de 1883, precedendo por cinco anos, a libertação dos escravos no Brasil, quando o mesmo tinha o topônimo de Acarape

I

Cada livro é um árvore
Ondulada pelo vento
É papel e personagem
Pendurado no seu tempo

Usa capa e contracapa
Comentário nas orelhas
Nariz na folha do rosto
Sumário nas sobrancelhas

Cada Livro é uma nuvem
Carregada de palavras
Chovendo pelos caminhos

Cada livro é um oásis
Onde as aves bibliófilas
Vão preparar os seus ninhos

Prof. Horácio Dídimo
II

Livros são contos e cantos
São palácios ancestrais
São circos com saltimbancos
São templos, são catedrais

Colorido ou preto-e-branco
Cada livro tem seu texto
Seu miolo sua casca
Seu mercado e seu contexto

Livros são nomes ou mais
Seres tridimensionais
Cada um com sua norma

Cada livro é uma forja
Um retrato e um espaço
Um abraço e uma forma

Prof. Horácio Dídimo



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Vicente Alencar: Academia de Língua portuguesa

Estimado Jornalista e Advogado Vicente, gente da melhor estirpe:

Quero muito está presente na sua posse hoje. Tenho uma missa por Chico Anysio, que os artistas, amigos, admiradores e o Grupo de Teatro Dom Helder Câmara (bairro Parquelândia), pediram para eu celebrar. Mesmo assim, quero cumprimentar pessoalmente.
De um podo antecipado, parabéns!!!

pegeovane@paroquiasantoafonso.org.br
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Vicente Alencar: Presidente da Academia de Língia Portuguesa

Vicente Alencar: Presidente da Academia de Língua Portuguesa (ACLP)

O Vice-Presidente da Academia de Letras dos Municípios do Estado do Ceará - ALMECE na (ACLP)

Vicente Alencar
O jornalista Ítalo Gurgel, presidente da Academia Cearense da Língua Portuguesa, dará posse à nova Diretoria eleita, na quinta-feira, dia 29 de março, a partir das 19:30h, no Palácio da Luz, Rua do Rosário, 01, sede da Academia Cearense de Letras. O novo presidente será o Jornalista e Advogado Vicente Alencar.
https://blogsantoafonsoce.blogspot.com.br/

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Novo livro do Pe Geovane

PREFÁCIO
Pe. João Carlos Ribeiro*

A homenagem prestada pelo Pe. Geovane Saraiva, expressa nesta obra, “Dom Helder: Sonhos e utopias”, com absoluta certeza será compartilhada por muitos sonhadores, amigos e admiradores do “artesão da paz”, do homem que com seu jeito encantador de ser e sua mística, uniu à terra ao céu, como o pastor e profeta dos empobrecidos, dos “sem voz e sem vez”.
Depois de ter entregado aos leitores “O Peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores”, por ocasião do centenário do cidadão do planeta (1909-2009), nosso querido Pe. Geovane, sacerdote da Arquidiocese de Fortaleza, há 24 anos, quer mostrar neste trabalho a homenagem do todos nós a Dom Helder Pessoa Câmara, na riqueza e na força de sua personalidade, profundamente marcada pela graça de Deus e, por isso mesmo, humano ao extremo.
Dom Helder marcou a região metropolitana do Recife, nos anos em que foi nosso arcebispo. Esteve à frente do rebanho em momentos sociais muito tensos e difíceis, como foi o tempo da ditadura militar. O Brasil e o mundo conheceram um Dom Helder porta-voz dos injustiçados e dos empobrecidos. Um homem lúcido, profeta segundo o Evangelho, dono de palavras fortes e contundentes. Mas nós conhecemos mais do que esse profeta respeitado no exterior e temido, em seu país, por suas posições em favor de um mundo fraterno e solidário e de uma Igreja pobre e servidora. Conhecemos um Dom Helder respeitoso das pessoas e cheio de amor para com os sofredores. Um homem simples e ao alcance das pessoas de qualquer classe social.
Com toda certeza, uma das obras mais significativas de Dom Helder foi o Encontro de Irmãos. O Movimento de Evangelização Encontro de Irmãos nasceu da confiança do Dom no povo pobre da periferia. Ele acreditou no povo sofredor dos bairros populares e o convocou para a grande tarefa da evangelização. Começou no rádio, dando dicas sobre o trabalho com a Bíblia. Passou a reunir as lideranças que foram surgindo. O povo pegou a Bíblia nas mãos e foi à luta. Formaram-se grupos que passaram a ler e estudar a Bíblia semanalmente. A meditação dos textos sagrados animou a participação das pessoas nas lutas dos bairros, reforçou a presença dos cristãos nas associações de moradores, formou gerações de cristãos de fé e de compromisso. E continua formando, porque o Encontro de Irmãos continua vivo e atuante, graças a Deus.
É o Dom Helder do qual hoje nos lembramos. Um homem do povo. Um homem de Deus. Como ele falava de Deus... Havia tanto amor nas suas palavras, quando se referia ao Criador e Pai.... Havia tanta emoção nas palavras da consagração que o vimos muitas vezes chorando ao celebrar a Missa. E sempre repetia com toda convicção que o verdadeiro celebrante da Missa é Nosso Senhor Jesus Cristo.
Não há quem não se lembre com afeto da figura de Dom Hélder: a simplicidade de vida que ele abraçou, morando na sacristia da Igreja das Fronteiras; como ia a pé para a Cúria na Rua do Giriquiti, mesmo sob ameaça de forças paramilitares ligados ao regime militar; como abraçava os bêbados, os bêbados que teimavam em pedir-lhe a bênção na rua ou na porta de sua casa. Como esse homem era respeitoso com as pessoas: a qualquer um recebia e abraçava independentemente de quem fosse com a mesma alegria e sinceridade.
Ao inesquecível Dom Helder, figura humana abençoada e santa, nossa renovada e imorredoura gratidão! Comparamo-lo ao “Apóstolo dos gentios”, pelos seus grandes sonhos e utopias, na riqueza de sua lavra literária, homilias, conferências, exortações e viagens pelo mundo inteiro, numa palavra, “outro cavaleiro andante”. É Uma oportunidade a mais para aprendermos, com ele, o respeito pelos humildes, a confiança nos sofredores, o amor incondicional ao Pai e Criador.
Ao Pe. Geovane Saraiva, nossos agradecimentos e aplausos, por mais uma homenagem a Dom Helder, renovada nesta obra, que o mantém vivo como referência e memória admirável, cujo testemunho continua a produzir frutos abundantes. Parabéns Pe. Geovane!

*Pe. João Carlos, cantor, compositor e escritor. É Padre Salesiano, atualmente ocupa o cargo de superior da congregação salesiana no nordeste do Brasil.

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Martírio e profecia na Igreja

“Ninguém tem maior amor do aquele que dá a vida por seus amigos” (Jo 15, 13). Dar a vida se pode traduzir por generosidade, renúncia, doação e testemunho. No amor a Deus e ao próximo está o eixo central do cristianismo; tudo a partir do coração, por ser o centro da personalidade, onde se encontra seu fundamento, na busca da dignidade, da justiça e da solidariedade.
Neste sentido, já se passaram sete anos do assassinato da Irmã Dorothy Stang. Temos consciência de que o testemunho profético e a mística dessa fiel e corajosa discípula de Jesus de Nazaré, com seu sangue derramado na floresta amazônica, ainda irá produzir frutos, muitos bons frutos.
Irmã Dorothy afirmou, no momento em que foi imolada: “Eis a minha alma” e mostrou a Bíblia Sagrada. Leu ainda alguns trechos das Sagradas Escrituras para aquele que, logo em seguida, iria assassiná-la. Morta com sete tiros, aos 73 anos de idade, no dia 12 de fevereiro de 2005, em Anapu, no Estado do Pará, Brasil.
Diante do contexto da morte brutal da irmã Dorothy, fica muito presente a frase de Tertuliano, dita no século terceiro: “Sangue de mártires é sementes de cristãos”. “Evangelizar constitui, com efeito, o destino e a vocação própria da Igreja, sua identidade mais profunda. Ela existe para Evangelizar” (Evangelli Nuntiandi, 14), não fugindo da profecia e do testemunho, se for o caso, do martírio.
O modelo capitalista no Brasil, marcado pela desigualdade social e estrutural entrou com toda sua força também na Amazônia. Para a floresta amazônica, foi por opção de vida, a inesquecível Irmã Dorothy. Lá ela abraçou a proposta do Evangelho, vivido na simplicidade, mas com grande e profunda coerência. Uma mulher forte e determinada, no seu estilo de vida e com uma mística a causar medo e contrariar os que desejavam outro projeto para floresta, longe e distante do projeto de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso mesmo tramaram: “Vamos matá-la”.
Irmã Dorothy está viva e presente da vida do seu povo, com sua vida oferecida em sacrifício, num verdadeiro hino de louvor a Deus, com sua coragem profética. Ela continua mais amada e admirada, tornando-se referência, símbolo e patrimônio do povo brasileiro, que sonha com uma nova realidade, aos olhos da fé.
Vivemos uma fé em que se afirma muito a dimensão do louvor e somos inteiramente favoráveis e temos plena convicção de que o nosso Deus é Senhor da vida e da história. Agora viver o mandamento maior: “Amarás o Senhor teu Deus de todo coração e a teu próximo como a ti mesmo” (MT 22, 37), significa ser uma Igreja pascal, na generosidade, na renúncia, na doação, no testemunho e na profecia, a exemplo de irmã Dorothy, no seu desejo de assemelhar-se ao Filho de Deus, ao doar sua própria vida pela floresta amazônica. Fica a pergunta: quando é que teremos uma Igreja verdadeiramente pascal, testemunhando sua fé no Senhor ressuscitado, segundo o pensamento de Tertuliano?

Pe Geovane Saraiva, Pároco de Santo Afonso
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Um lugar no coração do bispo

Um lugar no coração bispo

Só com muito amor no coração é possível dar continuidade ao projeto da Salvador da humanidade, de edificar um mundo verdadeiramente de irmãos, justo e solidário, tendo diante dos olhos, na mente e no coração a grande e maior novidade, de um Deus que se encarnou na nossa história. Que no ano de 2012 venha sobre nós a paz que sonhamos e que seja duradoura, que Dom Helder tão apaixonadamente anunciou, ao deixar-se devorar pela graça de Deus, ao afirmar através do seu espírito profundamente jovem: “O segredo de ser jovem – mesmo quando os anos passam, deixando marcas no corpo – é ter uma causa a que se dedicar”.1
Aquele que não se encanta com o Reino, proposta do Salvador da humanidade, nunca irá descobrir as razões de viver e sonhar. Dom Helder nos ensina: “feliz quem tem mil razões para viver”; “Quando as dificuldades são absurdas, os desafios se tornam apaixonantes”; “Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como a minha sombra”. Não há como não compreender na força dessa figura humana, Dom Helder Câmara, o artesão da paz, verdadeiramente uma mina de ouro que precisa ser sempre e cada vez mais explorada e com muito amor e carinho. 2
Nascido em Fortaleza, Ceará, em 1909, ordenado sacerdote aos 22 anos, em 1931, o Pe. Helder Câmara exerceu os cinco primeiros anos de sua vida sacerdotal sob a orientação direta de Dom Manuel da Silva Gomes, então arcebispo, na capital cearense, dedicando-se à causa da educação católica; dos círculos operários, com atuação especial junto aos jovens e domésticas, em uma cidade, que ensaiava os primeiros passos no caminho da industrialização; destacando-se também por uma presença combativa nos meios de comunicação social. 3
Daquele corpo franzino, que se agigantava na pregação da fé e da justiça, daquela voz penetrante e inconfundível, que se transmutava em possantes amplificadores na defesa da vida fraterna e da paz, ficou o exemplo de dignidade pessoal, a lição de que há de ser perseverante na dura batalha pelo ideal em que se acredita e a certeza de que, mesmo na aridez do deserto, há espaço para semear e colher. Especialmente porque ele mesmo se encarregou de nos lembrar que, se "há quem tenha entranhas de posse", também "há quem tenha essência de dádiva", tornando-se um símbolo da utopia por um mundo fraterno, por um mundo de Irmãos. 4
Em 1964, ao chegar à Arquidiocese de Olinda e Recife, Dom Helder dizia: “A música é divina! E se a música ajudasse?” Então foi ao encontro do compositor suíço, Pierre Koelin, com uma vontade enorme, buscando criar um mundo mais justo, mais fraterno e mais humano. Assim nasceu a belíssima “Sinfonia dos Dois Mundos”. O movimento de Evangelização “Encontro de Irmãos” foi a menina dos olhos do grande pastor dos empobrecidos, porque aí ele via os “irmãos evangelizando os irmãos”. E a “Operação Esperança”? Ela nasceu num momento de desespero, como uma urgente necessidade de criar sinais de vida e de esperança no meio da população marcada pelo sofrimento e pela desesperança. Dom Helder, pequeno na estatura, mas grande nos sonhos, nos ideais e na santidade, colocou sua vida nas mãos do Pai, com a firme convicção e com a inabalável certeza de que a pessoa humana é que existe de mais e sagrado da face da terra, porque ela é imagem e semelhança de Deus (Gn 1, 26). 5
Dom Helder trabalhou incansavelmente pela unidade da Igreja e foi considerado um “santo rebelde”. O sonho carregado ao longo da vida e acalentado no seu coração foi o de colocar a criatura humana em um lugar de destaque, também num lugar bem elevado. Marcou profundamente uma época e nos deixou um grande legado e lição. A lição de que o deserto da nossa vida tem que ser fertilizado pela Palavra de Deus e que a vida está acima de tudo, de ela é mais forte do que a morte. 6
Mensagens do Profeta que viveu bem nesta terra, que ela não é permanente, mas com um grande desejo que todos compreendessem o sentido da vida neste mundo, voltando-se, é claro e evidente, pra outra vida, que a transcende, que vai muito além desta. Mensagens do "irmão dos pobres" que encarnou o Concílio Vaticano II, quando diz: "Não se encontra nada verdadeiramente humano que não lhes ressoe no coração" (cf. GS, 200).
Que sejamos, neste ano de 2012, portadores da mensagem de paz que ele, quando afirmou em 1964, ao assumir a função de Arcebispo de Olinda e Recife: “Quem estiver sofrendo, no corpo e na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar especial no coração do bispo”.
Pe Geovane Saraiva, Pároco de Santo Afonso
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